O fim do fazendeiro está próximo?

O fim do fazendeiro está próximo?

Antes de responder a esta pergunta, quero destacar que me refiro ao modelo de gestão de fazendas antigo que era aplicado pelos pioneiros do agro brasileiro.

Dito isso, vamos entender um pouco mais sobre quem é o “fazendeiro”, o que ele faz e por qual motivo ele está prestes a deixar de existir.

Durante muito tempo chamávamos os proprietários rurais de “fazendeiros”.

Esse é um termo genérico que era usado para se referir a todo proprietário rural.

Inclusive em qualificações pessoais, quando eram questionados qual era a profissão, muitos se qualificavam como “fazendeiro”.

Esse termo demonstrava que o indivíduo era sim proprietário rural e obtinha renda de suas fazendas.

Mas como trabalhava o “fazendeiro”, lá no passado?

Esse é o ponto crucial que devemos entender para podermos reconhecer que o modelo de gerir fazendas que eles desempenhavam não tem mais sustentação no cenário atual do agronegócio brasileiro.

Lá no passado eles trabalhavam no sistema extensivo. Esse sistema servia tanto para agricultura como para a pecuária.

Isso se dava pela grande disponibilidade de terras para ocupação. As fazendas eram de fato muito grandes.

Neste sentido, os proprietários não se preocupavam em formar pastagem, corrigir solo, fazer rotação de pastos e outros manejos adequados para aumento de produtividade dentro das fazendas.

A gestão era focada apenas na extração máxima de tudo que a terra tinha para oferecer sem necessidade de investimento nela.

O fogo era um grande aliado do “fazendeiro”.

Eles promoviam grandes queimadas que serviam tanto para abertura de área quanto para a adubação do solo.

As cinzas acabavam auxiliando na formação das pastagens e também no desenvolvimento das lavouras de feijão, arroz, milho e outros cereais que eles plantavam na época.

Quando uma fazenda deixava de ser produtiva, os proprietários compravam novas fazendas brutas e continuavam seus processos produtivos no sistema extensivo.

Lá no passado as terras não tinham preço. Elas valiam menos do que os animais, uma televisão, um veículo e assim por diante.

Sem falar que haviam muitas terras devolutas, que a pessoa chegava, ocupava e tomava posse sem necessidade de documentação ou pagar algo para alguém.

Neste sistema grosseiro se formou o modelo de gestão de fazendas dos “fazendeiros”.

E hoje, como estão as exigências do agronegócio para a gestão das fazendas?

Bom, primeiro é importante ressaltarmos que o Agronegócio é o maior setor da economia brasileira. Ele, sozinho, é responsável por 33% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e tem uma predominância nas exportações.

Isso tudo foi graças a evolução e aperfeiçoamento dos sistemas de gestão dentro das fazendas, as quais evoluíram para o status de empresa.

É dentro de uma perspectiva empresarial que as fazendas brasileiras começaram a ganhar prestígio e valor como campo de produção de grandes lucros.

Tudo isso trouxe também uma mudança no mercado das commodities, que são os produtos produzidos dentro das fazendas, seja na pecuária ou na agricultura.

Com toda essa revolução mercadológica, o sistema extensivo, dentro daquele modelo tradicional de exploração da terra, perde sentido e começa a entrar em decadência.

Novos modelos de gestão de fazendas começam a ser desenvolvidos e sistemas de manejo, como os semi-intensivos e intensivos, baseados no uso de tecnologias, ganham força para atuação no mercado atual.

Aquele fazendeiro tradicional que não é adepto às mudanças, com certeza sofrerá muito neste novo cenário e aos poucos começarão a desistir dos seus negócios.

Nosso agronegócio cresce constantemente. Ano a ano estamos vendo recordes em todos os segmentos.

Além do mais, diante das crises mundiais o Brasil vai se tornando uma grande potência mundial na produção de alimentos.

Todo esse crescimento e prestígio não acontece sem o surgimento de novos desafios que, cada vez mais, são decisórios na permanência ou não de determinados gestores no segmento.

Como o mercado é cíclico, a cada movimento de baixa, gestores engessados, que não conseguem traçar planos de negócios eficientes, estratégias, metas e objetivos para seus negócios, passarão dificuldades ao ponto de chegarem a falência.

Em cada baixa no mercado do agronegócio, vários “fazendeiros” tradicionais deixam o mercado.

Essa é uma realidade que vai ser decisiva. Ou se adapta ou deixa de operar.

A gestão das fazendas é o ponto crucial da sobrevivência. A fazenda é uma empresa que trabalha com custos e obrigatoriamente tem que obter lucros.

Gestão Empresarial, Gestão Financeira, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Insumos e Maquinários, tudo isso é a base do sucesso.

Por fim, esperamos ter, neste pequeno texto, demonstrado o movimento que enxergamos, dentro do qual o modelo tradicional de gerir fazendas, fundado na figura do “fazendeiro”, deixará de existir.

Ficamos aberto às críticas e complementação do raciocínio.

No mais, obrigado a todos.

Sucesso, forte abraço e até a próxima.